“Caetanos” começam a multar motoristas em Porto Alegre: veja onde estão os detectores de sinal
Equipamentos instalados em cruzamentos com histórico de acidentes graves começam a autuar condutores a partir de 1º de março.

A Prefeitura de Porto Alegre deu início, neste domingo (1º de março), à operação efetiva dos novos Detectores de Avanço de Sinal, conhecidos popularmente como “caetanos”. Os equipamentos monitoram o comportamento dos condutores e identificam veículos que ultrapassam o cruzamento após o início do sinal vermelho ou que transitam acima do limite de velocidade da via. A medida encerra o período experimental e passa a permitir autuações a partir desta data.
Os primeiros pontos em operação efetiva são o cruzamento da avenida Protásio Alves com a rua Vicente da Fontoura e o da avenida Bento Gonçalves com a avenida Princesa Isabel. Ambos os locais concentram histórico elevado de colisões graves. Portanto, a escolha reflete dados concretos de mortes e ferimentos registrados nos últimos anos.
Dados do Programa Vida no Trânsito indicam que o avanço do sinal vermelho foi o principal fator de risco nas mortes no trânsito de Porto Alegre em 2025. Além disso, o problema se agravou no início de 2026. Porto Alegre teve o janeiro mais violento no trânsito dos últimos anos. As mortes mais que dobraram em relação ao mesmo mês de 2025, saltando de cinco para 11. Diante desse cenário, a fiscalização eletrônica tornou-se uma resposta urgente da administração municipal.
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Como funcionam os detectores e onde estarão instalados até junho

Os Detectores de Avanço de Sinal se integram ao sistema dos semáforos e registram infrações de forma automatizada. Sensores, câmeras e softwares de processamento de imagens garantem precisão técnica e respaldo legal às informações coletadas. Ou seja, o sistema não depende da presença de agentes de trânsito no local. Todo o processo de identificação ocorre de maneira automática.
O edital de contratação prevê a instalação de medidores de velocidade do tipo fixo eletrônico controlador misto, com tecnologia de sensores não intrusiva ao pavimento. O contrato também inclui manutenção e transmissão remota de dados. Dessa forma, a prefeitura garante operação contínua e alimenta um sistema centralizado de análise de mobilidade urbana.
Até junho, outros 15 cruzamentos devem receber os equipamentos, com base em estudos técnicos e no histórico de ocorrências graves. Confira os pontos confirmados ou em fase de instalação:
- Avenida Protásio Alves x Rua Vicente da Fontoura — em operação desde 1º de março
- Avenida Bento Gonçalves x Avenida Princesa Isabel — em operação desde 1º de março
- Avenida Oscar Pereira x Rua Cel. Aparício Borges — instalação prevista até o final de março
- Avenida Nonoai x Rua Dr. Campos Velho — instalação prevista até o final de março
- Avenida Farrapos x Rua Santo Antônio — instalação prevista até o final de março
- Avenida Baltazar de Oliveira Garcia x Dante Angelo Pilla — instalação até maio
- Avenida Ipiranga x Rua Silva Só — instalação até maio
Período de testes e comunicados educativos
Antes da operação efetiva, os equipamentos passaram por uma fase experimental iniciada em 6 de janeiro. Durante os testes, mais de 50 motoristas fugiram do sinal vermelho. Nesse período, a prefeitura enviou apenas comunicados educativos. Com a expansão do monitoramento, esse número cresceu. No total, mais de 90 condutores receberam avisos informando que, a partir de março, o comportamento passaria a gerar multa.
Segundo o diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto, as campanhas tradicionais mostraram resultados insuficientes. “Simples campanhas estavam sendo fracas, então mapeamos os 15 principais cruzamentos da cidade”, afirmou. Portanto, a fiscalização eletrônica surge como resposta direta à limitação das ações educativas isoladas.
Tolerâncias previstas e o que o motorista precisa saber
A prefeitura estabeleceu regras claras de tolerância para situações específicas. Há uma janela noturna em que o avanço não gera multa, desde que o motorista cumpra algumas condições. Das 23h às 4h59, o condutor pode transpor o sinal vermelho desde que reduza a velocidade, respeite a preferência de quem está na via, priorize os pedestres e mantenha o limite máximo de 30 km/h.
Emergências e excesso de velocidade também entram na conta
Situações de emergência também têm tratamento diferenciado. A EPTC orienta que o motorista pode avançar o sinal para dar passagem a ambulâncias e veículos de emergência. O Código de Trânsito Brasileiro garante respaldo legal nessa situação. O condutor não leva multa, desde que os veículos estejam em serviço de urgência e devidamente identificados com alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente.
Além disso, os detectores não se limitam a flagrar o avanço do sinal. Eles também registram excesso de velocidade na faixa monitorada. Entre os principais fatores de risco identificados no primeiro semestre de 2025 estão avanço de sinal, velocidade excessiva, condução sem CNH, alcoolemia e conversão em local proibido. Consequentemente, o motorista que respeita o sinal, mas excede o limite da via, também leva autuação.
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Porto Alegre integra plano nacional de segurança viária
A iniciativa faz parte de dois planos de segurança com abrangências diferentes. A utilização de instrumentos eletrônicos medidores de velocidade integra o Plano de Segurança Viária Sustentável da Capital e segue as diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito. Assim, Porto Alegre se alinha a uma tendência nacional de uso de tecnologia para reduzir mortes nas vias urbanas.
Por fim, vale reforçar que os caetanos operam de forma permanente, sem aviso prévio ao motorista. Não há período de carência após a ativação de cada novo equipamento instalado. Em outras palavras, a partir do momento em que o detector entra em operação, qualquer infração registrada já gera processo de autuação. O recado para os motoristas gaúchos é claro: os caetanos chegaram para ficar — e para cobrar.

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