Paramount compra Warner Bros. Discovery por US$ 111 bilhões em acordo que redefine Hollywood

A fusão de US$ 111 bilhões une gigantes do entretenimento e redefine a disputa global pelo streaming.

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A Warner Bros. Discovery assinou, nesta sexta-feira (27), um acordo definitivo para ser adquirida pela Paramount Skydance. A transação está avaliada em aproximadamente US$ 111 bilhões e promete redesenhar o mapa do entretenimento global de forma permanente. Os conselhos de administração das duas empresas aprovaram o negócio por unanimidade.

A proposta vencedora oferece US$ 31 por ação, integralmente em dinheiro. Ela supera o acordo anterior fechado entre Warner e Netflix, que previa a compra dos ativos de estúdio e streaming por US$ 27,75 por ação. Além disso, ao contrário da proposta da Netflix, a oferta da Paramount cobre a totalidade da empresa, incluindo canais a cabo como CNN, TBS e TNT.

Segundo o CEO da Warner, David Zaslav, a disputa resultou em oito aumentos de preço desde a primeira proposta, apresentada em setembro de 2025. Esse processo elevou em 63% o valor da companhia em relação à oferta inicial, garantindo ganhos significativos aos acionistas. Portanto, o que começou como uma guerra de lances tornou-se, na prática, uma das negociações mais lucrativas da história de Hollywood.


A batalha que antecedeu o acordo: cinco meses de rejeições e propostas crescentes

O caminho até a assinatura foi longo e nada linear. A Warner começou a receber propostas formais em outubro de 2025 e firmou acordo com a Netflix em dezembro, antes da reabertura da disputa. Inicialmente, a Paramount havia oferecido cerca de US$ 19 por ação. O conselho da Warner rejeitou a proposta e abriu espaço para a Netflix entrar no jogo.

Por isso, a Paramount adotou uma postura cada vez mais agressiva. A companhia lançou uma oferta pública de aquisição das ações da Warner e indicou que poderia iniciar uma disputa por procuração na assembleia anual. Além disso, buscou interlocução com reguladores e políticos em Washington, incluindo o presidente Donald Trump.

O papel da família Ellison e a pressão política

Para sustentar a oferta, a família Ellison entrou com força total. Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai de David Ellison (CEO da Paramount), garantiu um compromisso de capital de US$ 45,7 bilhões. Assim, a Paramount conseguiu elevar sucessivamente sua proposta e superar a concorrência da Netflix.

A dimensão política também pesou. David Ellison compareceu ao discurso do Estado da União de Trump como convidado de um senador republicano aliado do presidente. Em contrapartida, críticos democratas, como a senadora Elizabeth Warren, já classificaram o negócio como um “desastre antitruste”. Ainda assim, a oferta seguiu avançando.



Por que a Netflix desistiu — e o que muda com a fusão

A Netflix havia firmado um acordo preliminar com a Warner em dezembro de 2025. No entanto, quando a Paramount elevou sua proposta para US$ 31 por ação, o cenário mudou completamente. O conselho da Warner definiu a nova oferta da Paramount como “superior” e estabeleceu prazo para que a Netflix igualasse ou superasse o valor, o que não ocorreu.

A resposta da Netflix foi direta. Os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters afirmaram que a transação sempre foi algo “desejável pelo preço certo, não indispensável a qualquer preço.” Desse modo, a empresa optou por não comprometer seu caixa em uma guerra de lances sem fim. Como consequência, as ações da Netflix dispararam mais de 10% após o anúncio, sinalizando a aprovação dos investidores à disciplina financeira da companhia.

O que a Netflix ganha ao sair da disputa

Ao recuar, a Netflix não sai de mãos vazias. Em primeiro lugar, ela embolsará a multa rescisória de US$ 2,8 bilhões, assumida integralmente pela Paramount. Além disso, a empresa confirmou a intenção de investir aproximadamente US$ 20 bilhões em filmes e séries ao longo de 2026 e retomará seu programa de recompra de ações. Portanto, a plataforma reforça sua estratégia de crescimento orgânico em vez de expansão por aquisições.


Um novo gigante: o que Paramount e Warner terão juntas

A combinação das duas empresas criará um dos maiores conglomerados de mídia do mundo. Os principais ativos que passarão ao controle da Paramount incluem:

  • Estúdios: Warner Bros. Pictures, New Line Cinema, Paramount Pictures e Skydance Animation
  • Streaming: HBO Max e Paramount+, com cerca de 200 milhões de assinantes combinados
  • Notícias: CNN e CBS News, dois dos principais veículos de informação dos EUA
  • Franquias: Batman, Superman, Harry Potter, Game of Thrones, Top Gun, Star Trek e Missão Impossível
  • Canais a cabo: HBO, TNT, TBS, CNN, Comedy Central, Nickelodeon e MTV
  • Esportes: direitos de MLB, NHL e March Madness, que passam a coexistir com os da CBS Sports

A fusão consolidaria ainda um portfólio esportivo poderoso, com direitos de transmissão nos Estados Unidos e em territórios internacionais, incluindo o Brasil. Por sua vez, a combinação do March Madness, que hoje é dividido entre Turner e CBS, unificaria o torneio sob um único guarda-chuva corporativo.

Do ponto de vista competitivo, o impacto é imediato. Com cerca de 200 milhões de assinantes combinados, o novo grupo surgirá como principal rival da Netflix no mercado global. Consequentemente, a Disney ficaria em terceiro lugar em número de assinantes entre os grandes streamers ocidentais.


Riscos regulatórios e o futuro do acordo

Apesar do entusiasmo, o caminho até o fechamento definitivo ainda reserva obstáculos. A fusão chamou a atenção do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, que afirmou que o estado está investigando o acordo e será “rigoroso” em sua análise. Da mesma forma, parlamentares de ambos os partidos manifestaram preocupação com os efeitos para os consumidores.

Operadores de cinemas também expressaram temor de que a combinação de grandes estúdios possa levar à perda de empregos e à redução do número de filmes lançados nas salas. Por isso, a Paramount incluiu uma multa rescisória de US$ 7 bilhões caso o acordo seja barrado pelos reguladores, ante US$ 5,8 bilhões previstos anteriormente.

Financeiramente, o desafio também é considerável. A nova empresa herdará mais de US$ 78 bilhões em dívidas combinadas e precisará manter pelo menos 30 lançamentos teatrais por ano enquanto expande o streaming. Ainda assim, David Ellison afirmou que a proposta oferece “valor superior, certeza e rapidez no fechamento”. O mercado, portanto, aguarda a decisão dos reguladores para saber se esse novo gigante chegará a existir de fato — ou ficará apenas como capítulo de uma das maiores batalhas corporativas da história de Hollywood.

Redação Fofoca Geral

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